quarta-feira, 25 de março de 2009

Indicados trabalharam em campanha

Sete dos nove servidores apadrinhados em cargos em comissão na Câmara de Rio Preto admitiram em depoimento ao Ministério Público que trabalharam na campanha para o vereador que respectivamente os indicaram para a função pública. Em alguns casos, familiares do indicado pediram voto na eleição do ano passado e, posteriormente, os apaniguados acabaram beneficiados com cargos no Legislativo com salário de até R$ 5 mil por mês. O promotor de Justiça Sérgio Clementino afirmou que está comprovado que parlamentares tiveram “benefício eleitoral” com as respectivas indicações dos seus indicados na Casa. Esse é mais um passo considerado “essencial” por Clementino para provar que o presidente do Legislativo, Jorge Menezes (DEM), só foi eleito na eleição da Mesa Diretora após negociar nove dos 16 cargos em comissão - de livre nomeação e exoneração da presidência.
Um dos principais pontos dos depoimentos dos funcionários, apontados pelo promotor, foi a falta de qualificação para ocupar o cargo que estão desempenhando na Câmara. De acordo com Clementino, a assessora de Finanças Ana Clara Sgarbi trabalharia como conselheira tutelar. “Não tem nenhuma experiência na área”, afirmou o promotor sobre a indicada do secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. De acordo com Clementino, a assessora da presidência da Câmara Aparecida de Fátima Matos afirmou que não conhecia Menezes.“Ela foi indicação por ser amiga do Jorge Abdanur (PSDB). Não tinha nenhuma experiência para o cargo”, disse.


O diretor de Comunicação, Daniel Espinha, foi indicado por Nelson Ohno (PSB). Ele afirmou que deixou seu currículo com Menezes. Espinha afirmou que trabalhou na campanha do prefeito Valdomiro Lopes (PSB), do mesmo partido de Ohno, seu padrinho. A diretora Legislativa, Luciana Dias, admitiu que sua família trabalhou para eleger Alessandra Trigo (PSDB) em 2008. “Tanto o depoimento da vereadora como da Luciana foram muito parecidos. A vereadora havia informado que os pais da diretora tinham trabalhado na campanha eleitoral”, disse Clementino.


O diretor administrativo, Orleans Tonello Fauaz, afirmou que frequenta a mesma igreja do vereador Carlão dos Santos (PTB), que o indicou para o cargo. O funcionário disse que levou currículo para ser analisado e acabou sendo chamado. Já a diretora da TV Câmara, Thais Machado, foi indicação de Antonio Carlos Parise (PTB). Ao promotor, ela afirmou que a sua mãe trabalhou na campanha do vereador. “Além disso, a Thais afirmou que é filiada ao mesmo partido de Parise. Ela negou, no entanto, que tenha entregue seu currículo a Parise, mas encaminhou seus dados diretamente ao presidente”, disse Clementino.


Já o assessor da Diretoria Administrativa, Joaquim Luiz Pereira Neto, revelou que havia um possível acordo na Secretaria de Esportes para que todos os servidores apoiassem a candidatura de Walter Farath (PR). Pereira afirmou que esperava ser chamado para trabalhar como assessor no gabinete do vereador, mas acabou sendo escolhido para atuar na diretoria indicado por Farath.


O assessor da diretoria Legislativa, Rafael Sousa, disse que o seu padrasto é “amigo” do secretário de Esportes, José Carlos Marinho (PP). Esse seria o motivo da sua indicação para trabalhar na Câmara com um salário de R$ 3,9 mil por mês. A assessora da Diretoria Geral, Célia Alves de Oliveira, foi considerada pelo promotor como uma “nomeação normal.” “Nesse caso específico não me parece troca”, disse Clementino. Todos os apadrinhados disseram ao representante do Ministério Público que deixaram seus currículos para serem avaliados pelo presidente da Casa. Eles negam que as indicações tenham ocorrido antes da eleição da Mesa Diretora, no dia 1º de janeiro. “Percebi uma preocupação nesse sentido. Todos alegaram que foram indicados em meados de janeiro”, afirmou o promotor.


Um dos objetivos do promotor é comprovar que essas nomeações já estavam previamente definidas antes da eleição da Mesa Diretora, realizada no dia 1º de janeiro deste ano. Menezes, que antes admitia publicamente ter sido eleito a partir da barganha de cargos, após a abertura de inquérito civil pelo promotor recuou das suas declarações. No fim da investigação, Clementino pode ingressar com ação civil pública contra Menezes por possível ato de improbidade administrativa. Se condenado, ele poderá perder os direitos políticos. Além disso, existe possibilidade dele pedir a demissão de todos os servidores que se beneficiaram da barganha de cargos na Casa. Hoje, Clementino colhe o depoimento de jornalistas que cobriram a eleição da Mesa Diretora e produziram reportagens sobre os apadrinhamentos.

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