terça-feira, 15 de setembro de 2009

Palestra dia 14/09


Paradigmas teóricos da Sociologia brasileira: Octavio Ianni
Profa.Dr.Célia Ap. Ferreira Tolentino (UNESP)

A primeira noite da VII semana de Ciências Sociais teve início com o professor Ricardo Martins, coordenador do curso de Ciências Sociais, ressaltando a importância do evento para o curso e para a faculdade. Em um breve discurso, Ricardo lembrou o ótimo resultado obtido pela Faceres no ENADE, avaliação na qual o curso de Ciências Sociais aproximou-se muito da nota máxima e lembrou que o tema da VII Semana da Ciências Sociais foi especificamente escolhido para atender as últimas turmas do curso que se formaram na Faceres e os alunos que estão para se formas neste ano.
Após as palavras do coordenador do curso, foi a vez da Prof. Dr. Célia Ap. Ferreira Tolentino tomar assento e na mesa de palestra para falar sobre “Os paradigmas teóricos da sociologia brasileira”, tema baseado nos trabalhos do pensador Octavio Ianni, sociólogo brasileiro de importância ímpar e do qual a professora Célia foi aluna em algumas ocasiões.
De maneira muito clara e sucinta, Célia começou sua palestra lembrando que no Brasil existem grandes pensadores e que o “modismo” de buscar grandes referencias para estudo em países europeus como França e Inglaterra já não são necessários. A professora destacou que Ianni “contava a história enquanto ela acontecia”, fazendo referencia ao caráter atual das obras deste pensador e de sua capacidade de se localizar na história contemporânea de modo a fazer uma leitura muito próxima dos fatos que sucederam seus estudos.
A professora Célia deixou claro que uma das características mais importantes da obra de Octavio Ianni está relacionada diretamente ao “bom caipirismo” deste autor, que se manteve “caipira” mesmo quando passou a ser considerado um estudioso de muito sucesso e reconhecido nacionalmente.
Durante sua palestra, a professora deu bastante importância ao fato de Ianni, junto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, terem articulado e trabalhado juntos pela criação do Cebrap (centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e ao fato de ambos serem discípulos do grande sociólogo e político brasileiro Florestan Fernandes e dos motivos que levaram ao afastamento de Ianni de FHC quando este último ocupou a presidência do Brasil.
Célia atentou a platéia ao fato de que Octavio Ianni antecipava em seus discursos o mundo comum a atualidade através da leitura dos discursos dos empresários, dos consultores de mercado e até da própria bolsa de valores numa época em que as mudanças estavam acontecendo de maneira “visceral” (final da década de 80 e início dos anos 90).
No final de sua palestra, Célia respondeu atenciosamente às questões dos alunos e dos professores presentes, demonstrando grande interesse pela participação e pela fomentação dos estudos sociais acadêmicos em nosso país.


texto: Kaio Bittencourt ,aluno da Pos-Sociologia Política, grande amigo que ja faz parte da familia CS.



Quando o Prof. Arare me falou da palestraste semanas antes do inicio desta semana, nos dizendo que ela era sua professora, mas acima de tudo uma grande profissional, fiquei suspeito, mas não por ser chato, ou por não confiar em nosso amigo, mas sim por que não confiar no seu coração, por que uma vez ela sendo professora da sua graduação ele poderia ser eternamente apaixonado por ela, assim como todos nos sempre nos apaixonamos por alguns grandes professoras da nossa graduação, ontem veio a comprovação quando ele disse que ela foi a primeira professora que deu aula para ele na graduação. Mas veio outra comprovação o quanto talentosa que a Profa. Célia se apresentou, acredito que no final da noite não foi somente o Prof. Arare e o Prof. Ricardo (que também foi seu aluno de graduação)que sairiam apaixonados por ela.
Prfa.Célia contagio muito em nos apresentar seu mestre, deu a nos um pouquinho do gosto de conhecer Prof. Octavio Ianni, a nos apresentar sua simplicidade caipira, me deu a motivação de poder voltar a acreditar no sentimento, na simplicidade humana de querer mudar as coisas que esta a nosso redor ( que confesso que estava perdendo essa motivação).
Agradeço pela presença e pela palestra, mas muito mais que isso pela motivação a alimentarmos nossas duvidas e incertezas sobre a nossa modernidade tão caótica.
texto: Victor Augusto (Vitão)


e quem quiser também mostrar as suas opiniões sobre os eventos me procure na faculdade.

Programação Cultural





Teatro: "Poema Sujo"
Grupo Jabá com Jaca

Tenho aqui a missão de fazer a critica deste espetaculo, sinto me em uma missão difícil por três motivos, primeiro por ter feito parte deste grupo teatral e ter participado dos primeiros passos deste espetaculo, enquanto ele era somente discussões pela madrugada por pessoas apaixonadas pelo teatro e pelo texto, aqui então entra o segundo motivo o texto, assim que me foi apresentado esta obra épica de Ferreira Gullar fiquei sensibilizado, por uma obra de um brasileiro apresentando a simplicidade brasileira de uma forma extraordinária,e para encerrar os motivos por ver em cena dois grandes amigos, por que não irmão de coração apresentando esta obra, porem vamos ver o que pode ser falado.

Começo então justamente falando da performance dos atores Danilo e Rafael, demonstraram para nos muito mais que a leitura deles sobre o texto, eles nos passaram o prazer de trabalhar com esta obra, o prazer a risada, o prazer na incerteza, na vontade de se manifestar, de mostrar que esta carne de corpo humano que eles tem pode mostrar a historia de uma pessoa, a sua historia a minha historia.

Conseguiram nos apresentar suas propostas sem o medo de ter errado em efetua las, mas com o erro de apresenta-las antes do espetaculo, não era necessário.

Figurino simples mas porem que mostra a simplicidade das coisas, a pureza de pessoas comuns figuradas nele.

Sonoplastia muito boa, a utilização de instrumentos em cena muito bom, a trilha original e muito criativa, desdo dedilhar das cordas do violão, a batida do coração que o tambor demonstrou.

Paro por aqui, como não sou muito fan da critica, uma vez que ela rouba das pessoas sua pureza ao ver um espetaculo, fiz devido as circunstâncias, e pelo prazer de falar de meus amigos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VII SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - FACERES




Hoje inicia a VII Semana Acadêmica de Ciências Sociais da Faceres
como a do ano passado aqui no blog teremos informações do evento
e imagens, isso tudo a partir de amanhã com mais detalhes
aquele forte abraço e boa semana.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Lula repete Getúlio Vargas com nova estatal, dizem especialistas

Segue abaixo a reportagem que nosso querido amigo e professor Celso Carvalho Jr. deu a ou Portal de Noticias G1

Os dois presidentes levantaram a bandeira da soberania nacional.
Historiadores destacam, porém, que momento histórico é diferente.

Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo


Embora em contexto histórico bem diferente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir o ex-presidente Getúlio Vargas ao comandar a criação da Petro-Sal, nova estatal para gerenciar o petróleo da camada pré-sal, na avaliação de especialistas ouvidos pelo G1.

Nesta segunda-feira (31), o presidente Lula lançou o marco regulatório para a exploração do pré-sal. Ele assinou quatro projetos de lei sobre a nova estatal que serão enviados ao Congresso em regime de urgência.



A Petrobras foi criada em 3 de outubro de 1953 na gestão de Getúlio Vargas, que sofreu pressão popular com a campanha "O petróleo é nosso". Embora controlada pelo Estado, a empresa tem capital misto.

A Petro-Sal nasce em sistema de partilha de produção, modelo no qual o óleo extraído é dividido entre a empresa privada que faz a exploração e a União. Isso amplia o controle do governo sobre as reservas.

Segundo os especialistas, uma das primeiras medidas de Lula para seguir Getúlio Vargas em relação ao petróleo foi quando, em 2006, sujou as mãos de petróleo na cerimônia que comemorou a autosuficiência do petróleo. No ano passado, ele voltou a repetir o gesto em cerimônia do pré-sal. Vargas fez isso antes da criação da Petrobras para mostrar que o Brasil tinha petróleo.

O historiador Celso Carvalho Júnior, que estudou a criação da Petrobras e tem mestrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) sobre o tema, destaca que, tanto a Petrobras quando a Petro-Sal foram criadas com a "ideia de que ambas podem ajudar o país a se desenvolver". "Há ainda sentimento de soberania com relação aos dois episódios. Uma ideia nacionalista, de valorização da soberania nacional."

Para ele, Lula "não nega" o nacionalismo. "A imagem de Getúlio Vargas ficou associada ao nacionalismo. E o Lula, de certa forma, não nega esse nacionalismo. Ele tenta associar sua imagem ao desenvolvimentismo nacionalista. Não tentar se desvencilhar das comparações com Getúlio Vargas, principalmente se forem positivas", completa o historiador.

O professor de Administração da Universidade de Brasília (UnB), José Bautista Vidal, especializado em petróleo, também destaca as semelhanças. "Lula está fazendo no mesmo espírito que Getúlio fez na criação da Petrobras. Criou com ideal nacionalista. Mas Lula está fazendo certo agora (em criar uma nova), porque Getúlio fez uma estatal que depois se deteriorou."

Para ele, o governo não poderia deixar a Petrobras gerenciar os recursos do pré-sal porque a empresa de capital misto tem acionistas estrangeiros que poderiam se beneficiar.


Diferenças

O cientista político João Paulo Peixoto, professor da UnB, destaca que as diferenças entre o Brasil de 1953 e o de 2009 são muito grandes. "A economia é muito mais internacionalizada", diz.

Mas Peixoto concorda que há semelhanças entre os dois governos. "O atual governo de alguma forma preza a presença do Estado na economia, mais rigorosamente do que o governo passado. Nisso pode se assemelhar a Getúlio Vargas."

Ele explica que o contexto histórico era diferente porque a 2ª Guerra Mundial havia terminado há poucos anos. Getúlio sucedia o governo Eurico Dutra - que tinha sido pró-Estados Unidos - e havia um sentimento nacionalista. "Agora também gira em torno de um aspecto nacionalista, mas gira mais em torno do desenvolvimentismo."

"A própria figura do Getúlio Vargas carismática, profundamente comprometido com o nacional. O Lula às vezes parece o Getúlio, às vezes parece Fernando Henrique, é um líder que navega em várias ondas", afirma Peixoto.



Pressões

A criação sob pressão também pode ser citada como semelhança nos dois momentos, o da Petrobras e o da Petro-Sal, conforme os especialistas.

Segundo o historiador Carvalho Júnior, a criação da Petrobras nasceu de uma pressão popular, o movimento "O petróleo é nosso", enquanto que a Petro-Sal tem pressão dos estados.

"A Petrobras nasceu do ideal nacionalista, da pressão popular. O que se percebeu no caso da exploração do pré-sal é dos governadores. Em 53 a discussão era quem ia explorar, se o governo ou a iniciativa privada. A grande discussão de 2009 é que vai ficar com os lucros, os royalties."

O cientista político Peixoto destaca que, no passado, os governadores não tinham tanto poder de influência sobre a União. "Ainda hoje o governo é muito centralizador, mas naquela época os estados não tinham a mesma autonomia. A pressão dos governadores certamente é um obstáculo que tem de ser negociado e que não tinha naquele tempo", afirma.



Sem participação

O historiador Wladmir Coelho, mestre em direito e conselheiro da Fundação Brasileira de Direito Econômico, diz que a grande diferença é que, enquanto a Petrobras nasceu da movimentação popular, a Petro-Sal "nasce dos gabinetes".

"É uma empresa que nasce de cima para baixo, não é a vontade popular. Se a anterior foi fruto da movimentação popular, essa nasce dos gabinetes." Ele afirmou que a fundação do qual é conselheiro defende que a Petrobras retomasse o monopólio sobre o petróleo e gerenciasse o pré-sal.

"Não vejo semelhança entre Lula e Getúlio porque a proposta de Lula é de abertura e a de Getúlio era o monopólio. Do monopólio para benefício nacional. A do Lula é uma proposta de partilha de produção, do risco compartilhado. A proposta é muito diferente, não se assemelha em nada. Acho que ele pode usar a comparação para tentar trabalhar com o imaginário das pessoas."


link da reportagem na integra:http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1287655-5601,00-LULA+REPETE+GETULIO+VARGAS+COM+NOVA+ESTATAL+DIZEM+ESPECIALISTAS.html

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mídia, Poder e Ideologia no Brasil Contemporâneo

Trabalho de conclusão de módulo: Mídia, Poder e Ideologia no Brasil Contemporâneo da Pos de Sociologia Política - FACERES


Dentro de um histórico da construção da política nacional é muito difícil isolarmos poder, ideologia e mídia a partir de sua criação e da formação do relacionamento da população e formulação da estrutura de controle social.
Ao se aproximar da história contemporânea podemos notar isso com muita clareza, sobretudo durante o período da ditadura militar, onde o Brasil se envolveu em um contexto mundial da Guerra Fria, fazendo uso do poder ideológico e da necessidade da mídia, onde se iniciou um forte desenvolvimento da propaganda política, para defender o capitalismo ou o socialismo.
Quando o Brasil tomou uma posição em favorecimento à política norte-americana, houve a necessidade de o governo implantar uma abordagem através da propaganda política e ideológica, elaborar estruturas para convencer a população a adotar algumas idéias.
Assim desenvolveu-se uma forte tendência para que a população adote uma posição favorável ao capitalismo e promova, além disso, a “caça as bruxas”. Para propagandear o capitalismo, foi formada uma grande estrutura de mercado consumidor, abrindo o mercado de consumo para grandes indústrias norte-americanas venderem suas mercadorias e principalmente o seu modo de vida. A partir da propaganda política sobre o modo de vida capitalista, foram trazidas em conjunto regras sociais destinadas a formar uma estrutura moral.
E a mídia representou forte elemento com seu papel de criação. A partir desse contexto, pode-se analisar a importância da propaganda política e ideológica para os governos atuais, por que toda a proposta atual de propaganda política tem base e escola no que foi elaborado naquela época, o que diferencia são as técnicas de elaboração do trabalho.
Portanto, para iniciar a formação de uma estrutura social que era necessária para os governos militares, foi formulada uma ideologia de comando de massas, ou seja, houve a necessidade de incorporar um espírito social que favorecesse as classes dominantes, ou os interesses dos militares. E através da mídia, foram formadas as concepções sobre o regime militar, sobre a situação socioeconômica do Brasil, deixando as pessoas, muitas vezes, mal informadas.
Mas dentro deste trabalho da mídia, criava-se uma desinformação das pessoas através da própria mídia, não trabalhando os fatos e não noticiando o que realmente estava acontecendo. Assim, tendo uma verdadeira construção das noticias, fortalecia-se a idéia de que tudo estava bom.
Dessa forma, faziam que a população defendesse o país e, principalmente, abafava-se a ação dos subversivos, que acreditavam que a realidade vendida na grande mídia era mentira, nada mais do que uma construção política ideológica.
Sendo adotada no mundo contemporâneo uma prática semelhante, torna-se próxima de algo hereditário de fazer política, mas principalmente de noticiar política e formar opinião. Com a formação popular que se manifesta aceitando as noticias dos jornais que temos que focar nosso olhar. Assim o espírito crítico da sociedade é formado por jornais, sejam eles éticos ou não. E este trabalho mais do que falso, é aglutinador, prendendo a sociedade em uma realidade inexistente.
E quando o trabalho da mídia é criticado há uma grande negação, por isso Löwy afirma que as ideologias, utopias, as visões sociais de mundo têm um papel muito importante no processo de conhecimento da realidade. Portanto as ideologias que o governo queria que fossem formadas e expostas para a população, foram trabalhadas através da mídia, que divulgava o que era de seu interesse, criando para isso o próprio fato e os manipulando.
Mas através dessa discussão pode-se gerar dúvidas, por que um governo autoritário que praticava tortura (o que ainda é negado pelos militares até hoje) formaria uma estrutura ideológica através da mídia para controle da população? O que aconteceu foi a prática dos dois se completando.
Podemos analisar isso pela grande percepção que parte do governo militar teve em analisar o grande poder de controle da comunicação. E muito das práticas governamentais no Brasil tem uma continuação, seja ela de uma forma mais brutal ou não.
Com a chegada do governo democrático, isso não deixou de ser diferente, uma vez que muitas das práticas foram mantidas, assim como vários políticos permaneceram no poder.
Mas a comunicação teve uma grande evolução, e esta evolução foi poderosa, primeiro em suas estruturas de percepção do público, e em segundo, mas não com menos importância, no acompanhamento do desenvolvimento tecnológico. A propaganda ganhou vários meios de comunicação com diversas formas de abordagens e infinitas propostas de comunicação com a massa.
Com relação a isso, a respeito das tecnologias, hoje existe a cada dia uma nova proposta tecnológica, mas, independente do que surge, as antigas tecnologias permanecem um pouco pelo tamanho do desenvolvimento profissional que se encontra nos mecanismos de comunicação, mas principalmente pela desigualdade social, porque assim o alcance a essas tecnologias mais modernas não é total para toda a população, longe disso, ou seja, apenas a menor parte tem acesso.
Isso explica a necessidade que a propaganda tem de chegar pelo rádio, televisão, internet, e outros meios de comunicação, e em cada um deles de uma forma diferente.
E se tem hoje a necessidade de adequação com o público atual, a abordagem de propaganda hoje tem que adotar uma estratégia mais forte, buscando o interesse da população de uma forma mais direta, mas em alguns casos menos complexas, por que o público tem desinteresse pelas propostas complicadas. Aquelas que possuem uma vertente mais cômica, por outro lado, têm sido mais bem aceita.
O que nos preocupa é a formação de conceitos que a propaganda pode alcançar, quando dizemos que uma propaganda pode ser aceita ou não, vê-se também o quanto que esta propaganda se aproxima da cultura popular; então a partir disto, torna-se preocupante o quanto isso altera a cultura popular.
Isso porque quando temos a propaganda trabalhada para a população, encontramos uma propaganda que procura entender a cultura popular, mas quando esta propaganda manipula a cultura popular ela procura mudá-la.
Partindo agora para uma discussão sobre a inocência da população a respeito dos meios de comunicação – e considero esta inocência uma verdadeira ignorância – percebe-se que o senso crítico da população foi sendo desconstruído através das décadas de ditadura e pós-ditadura e que se tornou mais fácil manipular a população sobre os interesses de quem detém o poder, alcançado, assim, um maior poder de controle populacional, cultural e social. Junto disso foram elaboradas mudanças na educação nacional, como retirar o ensino de Sociologia e Filosofia da grade curricular, por serem disciplinas que aguçariam o senso critico dos estudantes, mas principalmente uma estrutura de educação bancária, onde trabalhos são trocados por nota, de modo que depositando seu ensino você retira a nota, e a adoção de cartilhas, que prendem a percepção criativa dos alunos para um sistema que premia aquele que decora ou copia mais melhor.
E qual o papel da mídia nesta desconstrução? Com o avanço tecnológico que aumentou o acesso aos meios de comunicação, da forma que já foi apresentado, foi através dele que finalizou a desconstrução da educação e a quebra cultural dos padrões brasileiros, introduzindo não só na propaganda estruturas de controle social, de uma forma subliminar ou escancarada mesmo, onde de fato alterou a cultura nacional, ou ainda somente trabalhando uma falsa realidade, onde Lazarsfeld aponta o que ele chama de mass media (mídia de massa) atribui status às causas públicas, às pessoas, às organizações e a movimentos sociais.
Dessa forma, muitas vezes o que está na mídia aparece como verdade ou realidade. Mas a opinião da mídia muda a realidade, interferindo na formação da opinião de muitas situações, sempre favorecendo o interesse político e econômico de alguns grupos sociais, alterando a ação social na massa, legitimando o que é proposto pela mídia, exercendo assim uma pressão sobre a massa para que esta adote o que esta sendo divulgado, mesmo que não tenha um consenso, mas trabalhando pela manutenção de sua proposta, e para controlar a moral e os bons costumes.
E quando demonstrada uma prática contrária para sua proposta, é apresentada de forma negativa, propondo para a massa que o que está sendo mostrado está errado como, por exemplo, as práticas do MST, favorecendo para a desconstrução das verdadeiras causas desse movimento.
A participação política da população tem sido cada vez menor e um dos motivos para que isso ocorra é o grande acesso a informação, distanciando as pessoas da ação política que fica limitada a participação nas eleições. E com essa grande quantidade de informação que a mídia está transmitindo, acaba formando na população um sentimento de que está bem informada e sem necessidade de participar, afinal, a mídia esta fazendo seu dever e mostrando o que está acontecendo, sem qualquer questionamento.
Com isso a mídia adquire o papel de controle e manipulação do sistema, como já foi dito, conseguindo cada vez mais também o controle da massa, por que além do fato de que quem detém o poder fica mais forte, parece que cada vez mais a realidade construída pela mídia e o sistema como está, torna-se coerente e certo para serem seguidos.
Com esses elementos construídos pela mídia, a massa fica cada vez mais dominada e as estruturas da propaganda política ficam cada vez mais fortes, o que explica os altos preços das propostas publicitárias, os altos custos das campanhas nas eleições e a grande receita reservada para a propaganda do governo, seja ela informativa ou não.
As propagandas políticas atuais demonstram um alto grau simbólico no que é mostrado, buscando se aproximar cada vez mais da massa (“Brasil um país de todos”), ou construindo o orgulho do progresso e a participação orgulhosa da massa, como é mostrado na campanha do Governo Estadual na construção do Rodoanel.
Esses valores simbólicos que estão nas propagandas trabalham muitas vezes no subconsciente das pessoas para alcançar os seus objetivos, o que faz parte hoje também da propaganda política.
E a construção da imagem dos políticos, seja em campanhas publicitárias ou em aparições publicas, trabalhando a imagem física e focando nas aparições públicas, as ações que serão praticadas durante a solenidade. Vemos muito este conceito na imagem do presidente Lula, no seu discurso e ações; a aproximação com o povo, onde utiliza de falas populares e de fácil entendimento, sem a presença de termos técnicos e muitas vezes a falta de coerência linguística.
Por outro lado vemos uma construção de imagem oposta no governador José Serra, em suas aparições publicas sempre se mostrando em alto grau de intelectualidade, participando de eventos culturais, onde faz questão de opinar sobre o que achou, como na divulgação da Virada Cultural Paulista, onde sempre diz ter sido idéia própria a implantação desse projeto. Em seus discursos, vemos uma fala refinada com termos técnicos e obedecendo a coerência linguística.
A respeito do discurso da mídia de ser detentora unânime da verdade e responsável por transmitir a verdade e contribuir com a democracia, é necessário saber, qual democracia? A mídia que defende interesse de grandes patrocinadores não pode ser uma mídia a favor da democracia, mas sim a favor do mercado e de uma minoria que o controla, uma vez que todos os dias ficamos sabendo das bolsas do mundo tudo, das estatísticas de vendas, de novos fundos de investimentos. Mas principalmente na contribuição sobre o consumo, com notícias sobre o controle de taxas de juros, aumento de créditos bancários e seus financiamentos. Uma mídia que noticia o alto grau de aceitação do governo, que enfoca a necessidade de consumo aclamada pelo presidente em tempo de crise mundial, está fortemente envolvida com seus patrocinadores e possui enorme interesse nessa união com o Estado.
Assim podemos afirmar que um dos grandes papéis da mídia atualmente é contribuir com a estrutura econômica do país, propagandeando os interesses políticos e ajudando a vender propostas de um mercado econômico favorável para a população e para o país, divulgando a idéia de que a política externa que o governo adota tem favorecido a economia. Mas também na propaganda da política interna, mostrando os grandes projetos do governo para crescimento e desenvolvimento do país e do povo, afinal o “Brasil um país de todos”.
Portanto hoje a mídia vem propagando uma ideologia do desenvolvimento da construção de um país melhor, mas isso não era feito também na ditadura. Por isso podemos afirmar que foram alteradas somente as técnicas de propaganda, por que os interesses serão sempre os mesmos, voltados para o governo e para os grupos que lideram a economia. E o povo continuará achando que sabe o que está acontecendo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

SP terá concurso para professor a cada quatro anos

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

O governo de São Paulo decidiu tornar obrigatória a realização de concursos públicos para professor a cada quatro anos, no máximo. A ideia é evitar que o número de docentes temporários volte a subir, após o Executivo adotar medidas para redução do contingente.

Hoje, 40% dos professores da rede não são concursados (80 mil entre os 210 mil). A intenção da Secretaria da Educação é reduzir para 10%. Os concursos públicos periódicos são necessários, diz a pasta, para diminuir o atual patamar e, depois, mantê-lo no nível adequado.

O Estado entende que a situação atual prejudica a qualidade de ensino. Os temporários não passaram por seleção de ingresso e não têm estabilidade.

Na terça-feira, a Assembleia aprovou pacote de medidas do governador José Serra (PSDB) que poderá ajudar a reduzir a presença dos não concursados.

Um dos projetos aprovados prevê criação de 80 mil cargos públicos, primeiro passo para o concurso. Os postos serão utilizados para substituição de temporários. Ou seja, em números absolutos, a rede não terá grande variação no corpo docente.

Os deputados também aprovaram a criação de uma jornada de 12 horas semanais (a menor era de 24 horas). O objetivo é facilitar o preenchimento de aulas, com docentes efetivos, de disciplinas com baixa carga horária (como física).

"Com as medidas, em quatro anos devemos ter um nível adequado de temporários na rede", disse à Folha o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. "Vamos estabelecer a periodicidade dos concursos para que a situação atual não volte."

De acordo com Paulo Renato, a medida será implementada por meio de decreto do governador, a ser publicado até a semana que vem.

A medida foi apoiada pela presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha. "Independente de quem estiver no governo, será obrigatória a abertura de concurso. É a medida mais importante para evitar a elevada proporção de temporários."

Atualmente, não há periodicidade definida para abertura de seleção. O último concurso público estadual para professores de 1ª a 4ª, por exemplo, ocorreu em 2005.

Apesar de concordar com a decisão do governo de fixar uma periodicidade para os concursos, a Apeoesp criticou algumas medidas do Executivo aprovadas pela Assembleia.
Uma delas é a prova para os atuais temporários. Quem for reprovado não poderá lecionar --ficará em atividade de apoio.

"Não há número suficiente de professores para colocar uma parte na biblioteca. E analisamos um possível desvio de função, que cabe contestação judicial", disse a presidente.

Segundo o secretário da Educação, a ideia é garantir qualidade do corpo docente. "Espero que o volume aprovado seja suficiente para a rede", disse.